PT dividido dificulta reeleição - Por Murillo de Aragão

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Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS).
A reunião do Diretório Nacional do PT, ocorrida no último sábado (20), em Brasília, deu sinais que o partido vive seu pior momento desde a crise do mensalão, em 2005. Os problemas começaram a ser evidenciados na semana passada, quando deputados federais do partido divergiram publicamente no tema da reforma política.
O pano de fundo foi uma disputa entre Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS). Mas os desentendimentos ultrapassam a questão Vacarezza.
Relator da proposta de reforma política na comissão especial que tratou do tema, Fontana foi o indicado pelo PT para coordenar o grupo criado na semana passada. O nome de Cândido Vaccarezza, indicado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e pelos demais partidos da base, acabou prevalecendo.
Diante do problema que o episódio criou na bancada do PT, Henrique Alves decidiu que os petistas indicariam dois nomes (o coordenador do grupo, Vaccarezza, e Fontana, indicado pela bancada do partido). Insatisfeito com a derrota sofrida, Fontana desistiu de integrar o grupo de trabalho. Em seu lugar, o PT indicou o deputado Ricardo Berzoini (SP) para representar o partido.
A disputa entre Vaccarezza x Fontana pelo comando do grupo de trabalho da reforma política evidenciou um racha na bancada petista da Câmara. O clima no PT ficou pior depois que Vaccarezza declarou, na semana passada, que não seria aprovado nenhuma proposta para as eleições de 2014.
Como a presidente Dilma deseja realizar um plebiscito para valer no próximo ano, a manifestação de Vaccarezza irritou o Palácio do Planalto e parte da bancada do PT na Câmara.
Logo após a manifestação de Vaccarezza, o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), emitiu uma nota, respaldada por 40 dos 89 deputados petistas, dizendo que a posição de Vaccarezza não é a do PT e que o partido continua defendendo o plebiscito para reforma política com validade para as eleições de 2014.
A insatisfação existente no PT, sobretudo na Câmara, após a escolha de Vaccarezza para coordenar o grupo de trabalho da reforma política, foi ampliada na sexta-feira passada (19) depois que a presidente Dilma Rousseff desistiu de comparecer à reunião do Diretório Nacional do partido, ocorrida no sábado (20).
A decisão de Dilma deixou lideranças do PT irritadas, principalmente porque o partido pretendia dar uma demonstração de unidade em meio a conjuntura adversa ao governo.
As críticas do PT ao governo são muitas. Alguns apontam a existência de um certo "institucionalismo conservador", conforme destacou o jornalista Ilimar Franco, que afastaria o partido dos movimentos que deram origem ao partido. Outros criticam a gestão econômica da era Dilma.
A divisão da bancada do PT nesse episódio e a ausência de Dilma na reunião do Diretório mostram um partido distante da unidade do passado e pretendida por seus líderes na atual conjuntura.
Até mesmo a aprovação de uma moção para retirar Cândido Vaccarezza da coordenação do grupo da reforma política chegou a ser especulada. Porém, a cúpula do PT resolveu mantê-lo no posto.
Ao não comparecer à reunião do Diretório Nacional do PT, Dilma Rousseff deu mais argumentos aos que advogam da tese que a presidente está isolada.
Em manifestações posteriores, Lula tratou de colocar panos quentes e afastar suspeitas de que poderia estar estremecido com Dilma. Fez bem. Afinal, o clima já não é bom com os demais aliados.
A crise de relacionamento dentro do PT só traz maiores dificuldades para um cenário pré-eleitoral de muitas dificuldades econômicas. O que, ao final das contas, torna a campanha da reeleição de Dilma mais complexa.
Vale destacar,ainda, que sem uma oposição consistente, o governo e suas aliados se encarregaram de criar seus próprios problemas. Nem sempre motivados por disputas políticas. É uma tônica desde que Lula chegou ao poder em 2003. A falta de adversários consistentes "destreinou" o PT. Poderão perder a eleição para eles mesmos.

Murillo de Aragão é cientista político.

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