Pela cruz somos glorificados em Deus - Por Pe. Luciano Guedes

Cuité Pb online | 14:37 | 0 Comentários

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Pela cruz somos glorificados em Deus.
*por Pe. Luciano Guedes da Silva
Pároco de Cuité.

Para os romanos, sinal de tortura e castigo, para os judeus um escândalo e vergonha, para os gregos, uma loucura! Para a Igreja de Jesus, afirmação da eternidade, vida que se vislumbra para além das misérias e imperfeições humanas, força que destrói o mal. Assim, a cruz, na história desponta como sinal, para todos inquietante, da realidade misteriosa e transcendental que envolve a humanidade.

A chamada “Semana Santa” em nossa tradição católica recorda exatamente esse fundamento de nossa esperança cristã. Isso porque atualiza em nosso contexto de fé, os episódios históricos que narram a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, aclamado como Messias e Salvador (domingo de Ramos e da Paixão), despedida e Ceia com os discípulos (quinta-feira), Crucifixão e Morte (sexta-feira) e a Ressurreição, no primeiro dia da semana (domingo de páscoa).

Sendo assim, tudo o que mais celebramos em qualquer parte e circunstância do tempo, fará referência a isto: a Páscoa redentora de Cristo. Podemos assim compreender que a Igreja nasce desta fonte, fruto da “fé pascal” comunicada pelas testemunhas e discípulos do Senhor Ressuscitado.

A fé cristã, basicamente, é a interpretação deste sentido novo e pleno para o homem. E neste ponto, devemos hoje nos perguntar também: a religião tem sido para nós, uma busca de sentido para a existência ou somente uma forma interessada de solucionar problemas e desconfortos do dia-a-dia, próprios da caminhada humana?

Aqui é que importa para nós, cristãos, a compreensão da cruz redentora de Cristo. Ele, Jesus, muitas vezes falou aos discípulos da necessidade da cruz: “Quem quiser me seguir, tome sua cruz e siga-me”. Hoje vemos surgir uma religião, inimiga da cruz, seduzida pela prosperidade e pela abundância das conquistas, anestesiante da dor e dos limites da pessoa, entorpecente das consciências, numa ilusão de que não precisamos nada sofrer. Uma redução do homem ao horizonte puramente material da vida, uma porta aberta e larga para outra vez trair nosso Senhor, e longe dele ficar.

Como cristãos, acredito, que em tempos de mercado religioso tão farto e enganoso, precisamos retornar ao “testemunho da cruz”. Ela é nossa vitória, sim, nossa vitória porque nos indica que os limites humanos nunca cessarão, aliás, estes mesmos limites que nos causam incômodos, são a prova cabal da nossa finitude, da nossa necessidade de alcançar o Verdadeiro, o Belo, o Perfeito, o Eterno.

Ao assumir a cruz, nossa fé não é masoquista, não! Ela é fé, encarnada na história concreta, que não divaga nas fantasias e modismos, ou na tentativa de propor ao homem um caminho fácil, porém, mentiroso. Cristianismo sem cruz é ilusionismo e magia. É produção humana e interessada para distrair o público, para dele talvez aproveitar-se também.

Pascom

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