Datas e representações que (re)constróem identidade. (Cuité 75 anos)

Cuité Pb online | 13:21 | 0 Comentários

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As datas, sejam elas de qualquer natureza, nos fazem repensar muito além do período lembrado. Quem nunca se pegou parado de olhos vidrados e pensando sobre sua nova idade ou sua situação atual a partir de um período posterior a algo acontecido (falecimento de um alguém, um acidente, ganho ou perda de algum emprego, casamento ou separação) após um ou mais anos? Nesses momentos, pensamos como nossa vida mudou, como as transformações foram moldando o que somos hoje.

As experiências e nossas representações acerca desses momentos, são tomados como referência, para a continuação/permanência de nossa mudança, nos fortalecendo a cada lembrança, a cada ano que passa. Nisso, vamos percorrendo nossa vida aprendendo, repensando, revivendo. Conforme Kathryn Woodwaerd: é por meio dos significados produzidos pelas representações que damos sentido à nossa experiência e àquilo que somos (Woodward p. 17), ou seja, a nossa vida, posso ratificar.

Mas no coletivo, nas comemorações, nos momentos de luto? Partilhamos também desses sentimentos reconstrutivos? Claro que sim, e são, também, a partir dessas experiências que se vai construindo a identidade de um lugar, de um espaço de relações compartilhadas. Um momento coletivo que junte a comunidade ou ao contrário que a dispersou, pode fazê-la pensar sobre como se está vivendo em conjunto hoje, não pode?

Podemos considerar com tudo isso, a memória como uma construção cultural a partir das representações e a História, essa disciplina que por muitos não é dada uma utilidade social, nos dá discernimentos como esses, que de forma “livre” nos faz entender e nos submetermos a uma posição crítica sobre os fatos acontecidos, lapidando nossos passos presentes.

Porém, às vezes, quando o fato representativo é utilizado como ponta de lança para negociações articulações identitárias pouco compartilhadas, onde o cimento cultural que se espera dessas situações “pretextos” são pouco compartilhadas, o sentimento identitário se torna pontual e superficial.

O que quero dizer é que neste dia 25 de janeiro, tanto quanto outros dias “chaves” de nossa história cuiteense, possamos pensar sobre nossa coletividade, nossos pontos fortes e fracos enquanto comunidade, que possamos utilizar esses dias não como apelo a antecedentes históricos, para ratificar coisas individuais (arte, poder, dizer), mas para reconstruir laços, repensar o coletivo, relações, vivências construídas e transformadas com o tempo e por meio dele de seus pontos de referências (feriados), podermos aprender um pouco mais e fortalecermos nossa identidade sócio-cultural.

Referências:

LIVRO DO MUNICÍPIO DE CUITÉ. Projeto Gincana Cultural/1983 – descubra a Paraíba. João Pessoa; Mobral, 1983.

SILVA, Tomaz Tade da. Identidade e Diferença: a perpectiva dos Estudos Culturais, 4ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes 2000.

http://israelaraujocuite.blogspot.com/

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