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Dinamérico Soares - O ADOLESCENTE GILBERTO

Cuité Pb online | 13:23 | 0 Comentários

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O  ADOLESCENTE  GILBERTO
Por Dinamérico Soares

      Na calçada alta de sua humilde casinha na rua ladeira, ele sentou-se para ler as Crônicas de Drummond, escritor que tirara na biblioteca do Mobral e que o conquistara ultimamente.

      Depois de fazer um meio juízo do trabalho drumondiano, levantou-se, e voltando-se para aquela paisagem periférica, seu olhar voou longe sobre a lagoa Juvino Pereira. Martelando um poema na mente, ele a chamava de mar sagrado, pois era de suas águas poluídas que a população que tanto se identificava como ele, estava tirando o sustento para a sobrevivência; população de seu bairro. Gente de semblante estampada de mágoas...

      Ouviu a voz arquejante de sua  vó mãe:  -  Meu neto, chegue, meu filho!... O pão já está na mesa vá comprar o café... Talvez ela tenha trocado as bolas, mas a verdade é que faltava os trocados para os exorbitantes 90,00 do café. Apanhou as últimas miseras economias recebidas de sua empregadora que nele empregou seus planos ilícitos, não pagando segundo a CLT, seus direitos de auxiliar da limpeza do Banco do Brasil, e satisfez os pedidos da velhinha, se bem que para ele isso também era uma necessidade chamada jantar.

     Depois de certo tempo juntou o preço altíssimo do café ao preço de seu trabalho, tão baixo como o próprio cruzeiro, e desabafou no papel que enrolara os pães. Ao escrever, ele se dava conta de que já era um poeta de verdade, muito embora sua musa primeira tivesse sido a opressão...

      A noite já enegrecia a ruazinha. Ele tentou dormir. No dia seguinte o “ Estopim “ publicou seu primeiro trabalho poético: Vovozinha, o que será de nós?

Acervo: Eliel Soares

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